Uma onda no ar

Uma Onda no Ar” é um filme de ficção que baseia-se na histórida da real Rádio Favela, criada em 1983 numa favela de Belo Horizonte.

No filme, engraçadamente, as transmissões focam-se na hora da Voz do Brasil, parodiando-a ao reduzir a velocidade da reprodução (como se acabasse a pilha) e então dizendo que “Começa agora A VERDADEIRA voz do Brasil – Rádio Favela FM”. Uma contestação imensa do programa obrigatório do governo federal, que transmite apenas propaganda estatal e a visão do governo sobre os temas. A favela, sendo a sucessora das senzalas e por isso sem nenhum amparo estatal (pelo contrário), não se sentia parte do discurso pintado pelo governo, e alguns moradores resolveram se opor ativamente: a antena como arma, disparando palavras contra-hegemônicas para conscientizar o povo de sua própria realidade. “Se aquela antena fosse minha…”.

Ao tratar da questão do racismo, tráfico de drogas, e repressão policial da época (e que não pode-se dizer estar lá muito diferente), a rádio pirata (sem autorização) se colocou na mira das autoridades, e precisava sempre “fugir”, mudando de lugar dentro da favela para dificultar ser encontrada (e o foi várias vezes, com os equipamentos sendo quebrados, lacrados, confiscados, etc). Os moradores eram cúmplices, “nunca sabendo” quem opera e a partir de onde.

O grande problema era que as leis de telecomunicações não permitiam que qualquer pessoa emitisse “ondas no ar” sem autorização do governo. Mas os criadores da rádio entendiam que “o ar é de todos nós”, e faziam as transmissões ilegalmente mesmo, pois a constituição garantia liberdade de expressão.

As rádios comunitárias só foram autorizadas a existirem em 1998, após 16 anos de operação da Rádio Favela.

Esse filme é muito pertinente para dar visão do midiativismo. E me lembra das “auto-publicações” Samizdat, livros banidos na União Soviética que eram publicados assim mesmo clandestinamente:

Samizdat: eu escrevo-o eu mesmo, edito-o eu mesmo, censuro-o eu mesmo, publico-o eu mesmo, distribuo-o eu mesmo, e passo tempo na cadeia eu mesmo.

artigo “Samizdat” na Wikipédia anglófona.

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