GNU Social: a federação contra o modelo social do Twitter

Autor: Manuel Ortega. Tradução por Anders Bateva.

O modelo de socialização do Facebook e Twitter (modelo FbT) é o de uma grande praça onde todos podem lançar seus slogans sem nem escutar aos demais, nem tomar a responsabilidade de buscar os contextos e entender as conversações. O resultando é um grande galinheiro, uma zona onde qualquer intenção de manter uma conversação sobre qualquer tema é imediatamente cerceada por uma avalanche de slogans e agressões por parte de usuários que, muito possivelmente, nem sequer leram o artigo que deu início à conversação.

Porquê o GNUSocial gera mais valor em suas conversações que o Twitter?

 

Não é por acaso que o que os usuários mais valorizam é ter “menos links que no Twitter, mais caracteres, e mais conversação”, “um espaço sem ruído para a conversação tranquila”, “falar com calma e tratar outros temas”, etc. Todas estas mensagens apontam à íntima relação entre o valor de uma conversação e a confiança estabelecida previamente pelos nós. É uma consequência da estrutura distribuída do GNU Social. Graças a ela, o GNU Social se despe de qualquer intenção recentralizadora e constroi a rede baseada em nós independentes – geralmente formados por afinidade entre grupos de pessoas – que se comunicam entre si graças à federação de conteúdos.

O que é a federação?

 

As conexões entre os nós do GNU Social são estabelecidas pelos usuários que seguem-se entre si. Através destas relações de “seguir”, todos os nós podem se comunicar e formar uma rede. É o que se conhece como a Federação, e poder-se-ia entender como uma rede de acordos.

Precisa-se somente que eu siga a um usuário de outro nó para que todo o que este usuário publique seja visível para todos os membros de meu nó. Graças a isto, podes ver não somente as mensagens das pessoas que você segue (em sua “linha do tempo pessoal”) e o que publicam em seu nó (na “linha do tempo pública” de seu nó), mas também uma coleção muito mais ampla de mensagens (“toda a rede conhecida”) onde além das mensagens anteriores, poderás ver as mensagens de pessoas em outros nós às quais ao menos um usuário do seu próprio nó siga.

Isto gera coisas maravilhosas como, por exemplo, “toda a rede conhecida” ser diferente em cada nó, já que sua composição está baseada nas pessoas que você segue + as seguidas por seus companheiros de nó. Um aspecto muito valioso, já que supõe uma exploração conjunta da rede. E, partindo de que existe uma relação de confiança prévia entre os membros de um nó, cada vez que um membro do nó começa a seguir – isto é, quando se estabelece um acordo – a um usuário de um nó externo, o espaço de confiança se amplia.

A chave para gerar espaços e condições favoráveis para a conversação está no fato de que a federação de conteúdos se realiza baseada em quem os usuários de cada nó seguem em outros nós, e não à agregação geral de todos os conteúdos por todos os nós. O resultado é que, se uma pessoa a quem nem eu nem ninguém do meu nó segue disser algo em uma conversação, não verei suas intervenções. Pode parecer um erro, mas na verdade, é a consequência de um acordo, de um contrato implícito: para ser parte de uma conversação de outro nó, tenho que haver recebido antes a confiança de algum dos que tomam parte dela.

Os problemas de federação

 

Este modelo de federação recebe a crítica de muitos novos usuários que aterrisam no GNU Social desde a experiência de socialização de Twitter e Facebook. Rotulam esta diferença como “problemas da federação”, e se queixam de que as conversações nas quais participam apenas mostram as mensagens das pessoas que eles próprios, ou outras pessoas em seu nó, seguem. A solução é tão fácil de implementar tecnicamente quanto perigosa.

O que se pretende com este pedido é, na verdade, romper a federação de conteúdos baseada em contratos implícitos, e abrir as portas para a agregação de tudo com tudo, e a ruptura de qualquer cadeia de confiança. Isto é, eliminar as bases que permitem aos nós criar espaços de conversação real. Ao romper este modelo de federação de conteúdos, estaríamos importando o modelo social dos grandes centralizadores, o modelo Facebook-Twitter, aos espaços e redes que construímos baseados em ferramentas como GNU Social, Diaspora*, Friendica, etc.

A socialização massiva através de Facebook e Twitter empobreceu as conversações e cerceou o nacimento de novas identidades. O fez implantando o discurso de que uma rede e suas interações são melhores quanto mais acessível for qualquer conversação a qualquer um. Quando não é necessário receber uma mínima confiança prévia para poder intervir ou interromper a conversação dos outros. De qualquer forma, a busca deste tipo de acessibilidade invisibiliza a própria base das redes distribuídas: o fato de que uma rede distribuída é formada por nós, por grupos independentes que se comunicam entre si.

Conclusões

Os problemas, ou defeitos, da federação de conteúdos só são assim se considerarmos bom e desejável o modelo de socialização Facebook-Twitter. Na realidade, seria preciso chamar de “as vantagens da federação”, porquê se o que buscamos é construir espaços enriquecedores e propícios para a conversação, o que temos hoje no GNUSocial é a estrutura que o torna possível.

A federação de conteúdos baseada em relações de “seguir” – acordos entre pessoas – é a base para construir espaços de interação enriquecedores e propícios para a conversação. Um aspecto determinante para não ceder às pressões centralizadoras e converter os espaços construídos com GNU Social em uma nova versão do galinheiro que agora nos propõe Twitter e Facebook. Se a estrutura distribuída dos servidores for “invisível”, se mudarmos a lógica expontânea da federação para que o usuário veja a rede e se comporte tal qual em uma rede centralizada, teremos mudado tudo para que tudo permaneça igual.

O mundo da federação de conteúdos é apaixonante e vai determinar em grande medida o futuro da Web. Cremos que seria um erro replicar o mdelo centralizado e sua cultura. Este serve a informação com independência dos acordos entre as pessoas, e portanto, torna aceitável a irresponsabilidade, encorajando a confrontação. Para nós, a prioridade do GNU Social deveria ser o desenvolvimento de uma cultura de socialização baseada na confiança dentro dos nós, e a responsabilidade de entender do que se está falando quando alguém é introduzido em uma conversação. E para isto, a chave é articular a federação, tal como até agora, sobre a mínima responsabilidade que supõe que, para ser um igual em outro nó, alguém deste outro nó considere o que digo suficientemente interessante a ponto de querer seguir-me.


O blog Anders Bateva tem uma conta no GNU Social, no seguinte endereço: https://quitter.es/andersbateva.

CC0 O texto deste post de Anders Bateva está liberado sob domínio público.
Baseado no trabalho disponível no blog Las Indias.

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