Das Leben der Anderen

Tradução parcial do texto “The Lives of Others, the Movie”, publicado originalmente no site “Media Influencer” em 01/07/2007. Tradução por Anders Bateva.

Um dos protagonistas (há 3, creio eu) do filme “A Vida dos Outros“, é um capitão na Stasi, a polícia secreta da Alemanha Socialista. Sempre fiel em sua dedicação ao regime – devido a seu idealismo, somos levados a crer – e portanto incorruptível, persistente ao ponto de ser inumano, e sozinho. Um especialista em destruir as pessoas e extrair informação delas sobre quaisquer atividades ‘subversivas’, ele usa privação do sono, e justifica sua brutalidade através de observações pseudo-científicas da psicologia humana. Em resumo, coisas horrendas. Capitão Gerd Wiesler.

Ele recebe a missão de monitorar um dos principais poetas e roteiristas de teatro do país (Georg Dreyman). Não porquê houvessem dúvidas da lealdade deste homem – ele é um amigo próximo de Margot Honecker, a esposa do Erich Honecker (presidente da Alemanha Socialista). O plano é desenterrar algo que possa desacreditar seus protetores, para ser usado em jogos internos de poder do Partido Socialista. O escritor vive com uma das principais atrizes do país, Christa-Maria Sieland. Ela é parte da razão pela monitoração, e é uma pessoa complexa, com suas lealdades e força de caráter não muito claras. Vale destacar aqui que qualquer um de importância em um regime socialista deve seu sucesso aos poderosos, sem exceções.

Durante sua missão, porém, o Capitão Gerd Wiesler envolve-se na vida do casal, o que é facilitado pela sua fascinação pela atriz. Ele começa a encobrir as atividades do poeta, que vira-se contra o regime após o suicídio de um amigo próximo que também era roteirista de teatro, após este ter sua carreira bloqueada pelo Partido Socialista, e não conseguir mais suportar a isolação. O enredo fica mais profundo, o comportamento das pessoas fica mais complexo e distorcido, mas o tema central é a transformação de um burocrata cinzento, solitário, e sem vida própria, em alguém com simpatia. Sua própria carreira é destruída como resultado de ter protegido o casal. A mensagem do filme, creio eu, é que alguém que seja movido por idealismo e pelo que crê, pode cometer grande mal, mas também grande bem. Os que não tinham nada em que acreditar é que se saíam pior no filme.

Como me sinto a respeito disto? Penso que não haviam muitas pessoas idealistas trabalhando para o regime no mundo real, que era abertamente totalitário/autoritário por décadas. Quando você entrava para o Partido Socialista, não era para construir uma utopia. Pelo menos, não para outras pessoas; talvez para si próprio, mas isto era uma ilusão. E, na década de 1980, não havia realmente muito espaço para idealismo mais. Também, ser um especialista em interrogatório da Stasi não exatamente deixa muito espaço para justificar a motivação de cada um. E, ainda assim, o personagem é de alguma forma credível: as pessoas são mais complexas do quê quaisquer ‘-ismos’ gostariam que fossem. A vida é cheia de surpresas, e mesmo nos momentos mais sombrios, os seres humanos podem subir a alturas inesperadas (e descender a profundidades inmencionáveis).

Entretanto, mesmo com seu final humano e animado, a história não pode compensar a tragédia dos milhares, milhões, que não foram poupados da brutalidade do socialismo… Ainda assim, é um excelente filme, que vale muito a pena ver.

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Baseado no trabalho disponível em Media Influencer.

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