Igualdade assexual

Autora: Pegasus, em 26/10/2013. Tradução: Anders Bateva.


Existe uma visão de que os/as assexuais não têm nada a demandar para si, diferente dos/das LGBT, afinal, se os/as assexuais não querem sexo, basta que eles/elas não façam sexo, certo? Porém, isto é equivocado, e aqui está uma lista curta com alguns problemas que afetam os/as assexuais.

Invisibilidade

A assexualidade é quase nunca exibida na cultura e mídia comuns, e raramente é questionada a afirmação de que todas as pessoas sentem atração sexual. Com frequência, quando o sexo é tema na sociedade, presume-se sem dizer que isto se dá através de um processo linear: flerte -> beijos -> preliminar -> sexo penetrativo (pênis-na-vagina). Isto ignora que podem existir roteiros alternativos, ou que de fato, você pode simplesmente conversar com seu/sua parceiro/parceira e determinar o que funcionar melhor para sua interação/relacionamento particularmente. A possibilidade que algum tipo de relacionamento sem sexo possa ser saudável e feliz, e tão séria quanto um relacionamento convencional, é raramente levada a sério. Isto é também com frequência o caso na educação sexual, onde lésbicas, gays, e bissexuais não recebem muita atenção, quem dirá assexualidade.

O resultado disto é um generalizado desconhecimento da existência da assexualidade na sociedade, tornando mais difícil para as pessoas entenderem seus amigos/parceiros que não experienciam atração sexual. E com frequência, deixa os/as assexuais sentindo-se confusos/confusas a respeito de suas sexualidades, ou pensando que há algo de errado com eles/elas. Além do sentimento de isolação que isto pode causar, algumas vezes pode levar os/as assexuais a receberem uma pressão social para agirem de forma sexual, ou terem sexo em seus relacionamentos independente do quão confortáveis sintam-se com isto. Também, a expectativa da sociedade de que estes relacionamentos e interações sexuais devam seguir um caminho padrão – e a falta de modelos para comunicar limites, desejos, e necessidades – pode tornar difícil que se negociem relacionamentos que sejam mutuamente satisfatórios e respeitosos dos limites de todos os/as envolvidos/envolvidas.

Expectativa/obrigação sexual

Isto merece um post inteiro, no mínimo devido ao gênero também ter um papel imenso neste aspecto, que eu não quero subestimar.

Mas, em resumo, presume-se normalmente na sociedade que, se uma Pessoa A beijar/flertar com/vertir-se provocativamente/namorar com uma Pessoa B, então esta Pessoa B pode ter a garantia de que a Pessoa A vai querer sexo consigo. Então a Pessoa B poderia até mesmo forçar a barra e pressionar a Pessoa A a fazer sexo, mesmo sem consentimento da Pessoa A (estupro).

Devido à sociedade presumir que é mais aceitável para um homem comportar-se sexualmente ou ser um babacão, acontece muito mais frequentemente que a Pessoa B seja um homem e a Pessoa A seja uma mulher, e por isto acaba sendo uma questão recorrente feminista. Porém, nem sempre é este o caso, já que mulheres e homossexuais também podem ser babacas, e este problema pode ocorrer em qualquer relacionamento onde as pessoas tenham diferentes níveis de interesse em sexo.

Para muitos/muitas assexuais em relacionamentos mistos (onde estão se relacionando com pessoas sexuais), o interesse sexual de ambas as partes não está no mesmo nível. Então, a expectativa da sociedade, de que o/a assexual deve atender às necessidades sexuais de seu parceiro/sua parceira leva a pressão para fazer sexo, e então algumas vezes leva seu parceiro/sua parceira a ser babaca – ao invés das opções saudáveis: negociar um relacionamento mutualmente respeitoso; ou cair fora do relacionamento.

Homofobia e bifobia

Não ser lésbica, gay, ou bissexual não faz ninguém 100% imune às fobias dos outros. Se eu der as mãos ou beijar uma pessoa de mesmo sexo em público, nós corremos risco de sermos assediados/assediadas em público. Se alguém pensar que sou bissexual devido a eu ir em encontros com pessoas de qualquer gênero, então corro risco de discriminação. E assim por diante. O que eu faço ou deixo de fazer no quarto, sobre a cama, com outra pessoa, não faz muita diferença: as pessoas intolerantes não têm como saber com 100% de certeza, e tampouco se importam sobre como você se identifica ou sente-se a respeito de sua sexualidade ou gênero.

Assexuais heterorromânticos ou aromânticos também não escapam dessa. Não estar sexualmente interessado em pessoas do gênero oposto pode bem facilmente levar as pessoas a presumir que você é gay/lésbica, pois as pessoas confundem sexo (macho ou fêmea) com orientação sexual, e concluem que quem “não gosta” de homem necessariamente gosta de mulher, e quem “não gosta” de mulher necessariamente gosta de homem. Afinal, só existem 2 sexos, certo? ‘Se você não gosta de um, é porquê gosta do outro!’

Pressão para ficar no armário

Mas é claro, existe a opção aberta para as pessoas de diversas sexualidades: permanecer no armário. ‘Keep calm’ e finja ser heterossexual (ou homossexual, se você estiver numa comunidade LGBT). Não sair do armário funciona bem para alguns assexuais, mas fingir ser algo que você não é, devido a fobias dos outros, não é uma situação agradável de se estar. E realmente, as pessoas deveriam ter a liberdade de escolher com quem serão, ou não, abertas a respeito de suas sexualidades, sem nenhum medo de assédio.

Ninguém lhe acreditar

Outro problema compartilhado com as pessoas LGBT, é sair do armário e deparar-se então com uma resposta de:

  • “você só não encontrou o homem/mulher certo/certa para você ainda”
  • “você deve realmente ser gay, mas enrustido”
  • “eu não acredito que isto seja possível/moral/saudável/natural”
  • “deve haver algo errado com seus hormônios/você deve ser broxa/você é sexualmente reprimido”
  • “absurdo, você faz X/Y/Z, então você de fato deve ser sexual”

Há pessoas que vão mais além, e bullinam ou assediam pessoas que saem do armário.

Licença Creative Commons Este post de Anders Bateva está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em Beyond the Rainbow.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

*